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Ao mestre, com carinho

    

    No dia 15 de outubro passado, data em que comemora-se o Dia do Professor no Brasil, não ganhei a maçã que eu desejava... Enquanto dava uma aula de surf para alunos de nível intermediário sofri um pequeno acidente que custou-me o osso do dedo anelar direito. Coisas que acontecem, não há muito o que remoer disto.

    Eu nem entraria na água naquela manhã. Fui planeado para filmar os alunos da areia e dar feedbacks de treino. No entanto, porque veio uma aluna que já não aparecia há tempos, resolvi me preparar com o wetsuit (roupa de neoprene) para o caso de, se fosse necessário, eu entrar na água.

   A aula começou bem, mas em poucos minutos começou a chover. Desliguei a câmera e guardei-a na mochila. As condições do oceano começaram a exigir mais dos alunos e resolvi entrar no mar para orientá-los de perto. Afinal, alguns deles estavam a sentir a pressão e pouco pegavam ondas.

    Fui ter com eles, empurrei alguns, orientei outros, e já estávamos no fim da aula. Veio uma onda boa e minha aluna começou a remar. Eu estava logo atrás, próximo, para empurrá-la caso fosse necessário - como é comum com alunos neste nível. No entanto, outra pessoa apanhou a onda antes, virou para o lado dela e vinha cruzando a sua direção. Foi tudo muito rápido e no mar as coisas são muitas vezes assim, imprevisíveis. Para proteger minha aluna e deixar espaço para o surfista da prioridade, instintivamente estiquei a mão e segurei-a pelo leash (cordinha). O intuito era impedir que os dois se chocassem no ponto crítico da onda. Mas a minha mão escorregou e apenas um dedo ficou para sustentar o peso dela, da prancha e da força da onda. Com o tranco e o puxão da água, o dedo quebrou.

    Não foi culpa da aluna, e não há por que buscar culpados. Acontece e é preciso tomar cuidado. Por um lado, fico satisfeito que estava a fazer o meu melhor na minha função, zelando pela segurança dela no mar. Além disso, o ocorrido faz-me lembrar do sacrifício infinitamente maior de Jesus que pôs-se à nossa frente, em rota de colisão com a cruz para nos cobrir e salvar de nossos pecados e oferecer-nos segurança muito maior, que é a vida eterna. Que tudo isto sirva de aprendizagem, benção, testemunho e honre ao Único que é digno de louvor. É assim que encaro tudo em minha vida.

    Devo dizer que este foi um fim de semana estranho. Na madrugada de sexta-feira a Marjorie perdeu o sono e veio-lhe uma consciência espiritual de que tempos difíceis estavam por chegar. No mesmo sábado em que me acidentei, a Iris teve de ir ao hospital pois apareceram nela manchas pelo corpo todo. Parecia um levante espiritual. Não podemos subestimar a ação do maligno, nem ignorar seus desígnios. No entanto, já somos mais que vencedores por meio daquEle que nos amou. Nossas vidas estão aos pés do nosso Senhor e Salvador.

    Agora sigo na espera pela marcação da cirurgia. Minha maior dor foi a psicológica, quando remoí o dia todo as cenas do fato, me questionando o por quê fiz algo tão bobo e instintivo. Mas sei que em caso contrário ela poderia ter machucado o rosto ou a cabeça contra o outro surfista que já vinha cruzando a sua direção. Meu maior desejo é poder tocar violão normalmente depois que tudo isto acabar. Peço as suas orações, pois sei que o Senhor é bom, soberano e chamou-me para um ministério que envolve a música, através da qual Ele abre caminhos espirituais para o coração das pessoas e a elevação do Seu Nome. Vou fazer a minha parte na fisioterapia e fico à espera do milagre do Senhor. Peçam ao Pai, junto comigo, que prepare tudo, a fim de que o procedimento seja um sucesso!

 

"Sabemos que todas as coisas cooperam juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos." - Romanos 8.28,29


    Por fim, uma surpresa incrível! Ontem de manhã, após meu tempo devocional lendo Josué 1, acabei por ser impulsionado pelo "sê forte e corajoso" e resolvi pegar no meu violão para ver a mobilidade da mão. Consegui tocar mesmo com um dedo imobilizado! É com esta esperança que sigo em fé na bondade de Deus.

    Graça e esperança a todos, em nome de Jesus!

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